Primeira temporada de Missy traz Monge, nova TARDIS e muito mais!

A Big Finish, aquela empresa maravilhosa que pega os nossos sonhos de spin-off e transforma em realidade, trouxe em fevereiro de 2019 uma das melhores coisas já escritas em Doctor Who: Missy Series One.

E como a gente sabe que o inglês ainda é barreira pra algumas muitas várias pessoas no fandom nós também vamos fazer resenhas dos áudios da Big Finish. Então, decidi começar pela nossa Mary Poppins From Hell por dois motivos:

  1. é a Missy, e todo mundo ama a Missy;
  2. são poucos áudios – como comparação, enquanto a Missy só tem dois boxes (e algumas participações nos áudios alheios) a River tem sete, fora as participações.

Os áudios da Missy fazem parte de um range da Big Finish chamado The Worlds Of Doctor Who, que nada mais são dos que os spin-off que a gente sempre quis e a BBC nunca teve verba (nem vontade) pra fazer – fazem parte desse range, entre outros, Class, Gallifrey, The Diaries Of River Song e The Lives Of Captain Jack (sim, o Jack tem áudios só dele!).

Bom, vamos à resenha.

Esse box é formado por 4 histórias e todas são full cast, ou seja, têm um elenco completo (diferente das range Adventure e Short Trips, que têm um narrador principal e um ou dois outros atores fazendo outros papeis).

“Missy… livre, leve e solta. O que ela apronta quando o Doutor não está por perto?

Bem, Missy tem um plano. E para levá-lo adiante, ela precisa quebrar algumas regras. E pessoas. E planetas. Cuidado universo, Missy está em uma missão. E ninguém vai pará-la…

1.1. A Spoonful of Mayhem (Roy Gill)

“Numa situção incômoda na Londres vitoriana, Missy é forçada a a arrumar um emprego como governanta.

Mas ela tem outros planos em mente, e seus deveres estão no caminho. Ela terá que ensinar às crianças algumas duras lições sobre conseguir o que se quer. E haverá lágrimas na hora de dormir”

No livro The Missy Chronicles o segundo conto se chama Teddy Sparkles Must Die e já trazia a Missy no papel de governanta. As duas histórias têm até uma certa similaridade.

Nesse áudio nós descobrimos que ela está cumprindo uma espécie de sentença, tendo como carcereiro um certo Mr. Cosmo. Sem o manipulador de vórtex e sem poder fazer nenhuma maldade explícita, Missy percebe que o único jeito de conseguir o que quer é usando como fachada a posição de governanta.

Assim, ela vai parar na casa dos Davis, onde moram os adolescentes Lucy e Oliver. Tendo como desculpa “ensinar” os irmãos, Missy começa a visitar os locais de Londres onde ela pode encontrar artefatos “mágicos”, que a ajudem a se livrar das garras de Mr. Cosmo.

A história é contada basicamente do ponto de vista dos irmãos Davis. E nessa primeira história eu não fui com a cara de nenhum dos dois – eles reaparecem no segundo box. Alie-se a isso o fato do plot ser bem parecido com o do conto, e acabou me soando repetitivo. Também o desfecho me pareceu meio sem graça, e o áudio meio deslocado – mas, como eu disse, ele tem uma continuação no box 2 que acaba fazendo um pouco mais de sentido.

Tem alguns momentos engraçados, como a Missy cavalgando a Esfinge pelas ruas de Londres, mas não me pegou de jeito. Do box, é o mais fraco.

1.2. Divorced, Beheaded, Regenerated (John Dorney)

“Missy chega na Inglaterra da Era Tudor, estragando os planos de outro Senhor do Tempo Renegado. O Rei Henrique VIII está no trono, e aliens marcham pelo campo. Missy só quer ser Rainha.

E o Monge? Quando ele descobre quem mais está em cena ele fica feliz de ainda estar vivo.”

O que falar deste áudio que, pra mim, já entrou pro top 10 melhores histórias, melhores químicas e melhores atuações de qualquer coisa na história de Doctor Who, em qualquer meio?

Porque Michelle Gomez e Rufus Hound nasceram pra atuar juntos.

O Monge (Rufus Hound) está na Terra, se fazendo passar pelo rei Henrique VIII, e vai ao campo em busca de mais uma esposa. Quando ele chega na casa de um nobre, atrás de sua filha Beatrice, ele toma um susto ao descobrir que a jovem virgem que ele esperava encontrar é, na verdade, Missy.

Nessa hora, meus queridos, vocês relaxem e aproveitem, porque estão prestes a ouvir uma aula de interpretação de Rufus e Michelle. A primeira interação deles deve ser uns cinco minutos de gargalhadas garantidas – ele nervoso por ter sido descoberto, e justamente por ela; e ela se divertindo com o desespero dele.

O plot em si é até simples: como o Monge está mexendo com a timeline do rei Henrique VIII, seres que se alimentam de paradoxos estão atacando. Missy, então, aparece para colocar ordem na bagunça (segundo ela, a mando do Alto Conselho de Gallifrey). Eles voltam a Londres, para a Corte, quando entra em cena Catherine, que está apaixonada pelo Monge e vai fazer de tudo para salvá-lo.

Eu costumo ouvir Big Finish enquanto faço minhas caminhadas. Eu tive que parar, sentar num banco da praia, e quem passou por mim deve ter achado que eu era doida, porque eu simplesmente não conseguia parar de rir. Michelle e Round nasceram pra contracenar juntos – e o Monge já está merecendo um spin off próprio (ele tem participações em Doom Coalition 4, na Third Doctor Adventures e no áudio Subterfuge, da Monthly Adventures do 7th).

Um daqueles áudios pra ouvir quando você precisa dar um up no humor.

1.3. The Broken Clock (Nev Fountain)

“Esta noite, no programa Os Assassinatos Mais Impossíveis Da América Com Dick Zodiac o detetive Joe Lynwood está à caça do assassino mais impossível de sua carreira. Uma trilha de corpos. Corpos impossíveis. E Joe tem uma longa noite para resolver o caso.

Para sorte dele, a detetive Missy Master da Scotland Yard em Londres, Inglaterra, chegou para ajudar…”

É o episódio policial do box. E tem um final inesperado.

Começa com um daqueles programas policiais americanos dos anos 60, contando a história do assassinato de um guarda de museu. Tem todo aquele esquema de recriação do crime até que entra em cena a policial Missy Masters, quebrando a quarta parede e subvertendo a coisa toda.

Descobrimos que o guarda não é o único corpo da noite. Uma socialite colecionadora também é encontrada morta, bem como dois irmãos gângsters, e mesmo todos tendo morrido naquela noite, eles aparentam estar mortos há semanas.

Missy não está ali à toa. Ela não ajuda ninguém de graça. Ela está em busca do relógio quebrado do título, que na verdade é uma Tardis disfarçada. Mas um tipo especial de Tardis – uma Mark 212, criada pelos Senhores do Tempo durante a Guerra do Tempo, e com uma peculiaridade: elas se tornam sencientes. Essa Tardis em especial era pilotada pelo Mestre, e o abandonou quando percebeu as maldades que ele praticava, saindo em busca de um novo piloto.

O detetive Joe acaba virando o novo piloto da Tardis, mas Missy consegue entrar também e continua levando caos ao universo. No final, um detetive Joe já idoso volta no tempo e consegue mostrar à Tardis que Missy e o Master são a mesma pessoa.

Mark, a Tardis senciente, é um personagem especialíssimo. Tal qual o Momento, ele tem uma moral própria – sabe que foi criado como uma arma de guerra e se ressente disso.

É um áudio muito interessante, alternando momentos engraçados e outros muito tristes. Menção honrosa a Kenneth Jay, que faz o Dick Zodiac e passa bem a vibe de narrador de filme noir.

1.4. The Belly Of The Beast (Johnathan Norris)

“O esquema de Missy está próximo do fim. Tudo que falta agora é subjugar os habitantes de um pequeno planeta e submetê-los à sua vontade. Nada demais…

Mas os escravos continuam se rebelando. Quase como se eles não quisessem desenterrar um artefato antigo para completar o plano de dominação universal de Missy. E ela terá que fazer algo a respeito,”

A impressão que eu tive é que esse foi um roteiro abandonado da 6ª temporada e reaproveitado aqui. A história é estranha, cheia de clones (que bem poderiam ser aqueles seres que viram geleca), uma aliança rebelde comandada pela própria Missy, gente correndo por corredores e um plot sem muito nexo.

Aleyna, Court e Sath são três escravos que trabalham na escavação do planeta em que vivem. Missy é a ditadora de plantão, os guardas são psicóticos e os Kobolds lembram um pouco os Daleks. Depois de um desabamento, Aleyna acorda no hospital, onde o Doutor Goodnight cuida dela.

Aleyna é um clone, tomando consciência a cada minuto dessa condição. E esse é o problema maior aqui – isso é revelado muito cedo na história. Além disso, rolam algumas contradições entre o que é explicado e o que foi dito pelos personagens.

Porém, o ritmo e as atuações são muito boas, o que salva o áudio. Teoricamente é o pior áudio do box, mas como eu não consigo gostar dos irmãos Davis, ele fica meio degrau acima da primeira história.

____

Na média geral, é um box nota 8. Não tem meio termo: são duas histórias muito boas (que jogam a nota lá pra cima) com outras duas bem qualquer coisa.

Michelle Gomez é uma coisa de louco. No Big Finish Day alguns autores disseram que ela é a versão menos psicótica da Missy, e é isso mesmo. Talentosa ao extremo, sem medo de quebrar a quarta parede, com um timing pra comédia digno de John Cleese.

E Rufus Hound, que surpresa! Eu só tinha ouvido ele em Doom Coalition e tinha gostado bastante de reencontrar o Monge, mas ele nasceu pra fazer par com a Missy. Ainda bem que eles se reencontram no volume 2, numa história tão divertida quanto.

Os irmãos Davies também retornam no volume 2, numa história melhor.

E o volume 2 traz, ainda, um dos maiores plot twists de Doctor Who. Mas isso é assunto pra outro post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s