1963: Fanfare For The Common Men. Uma ode aos Beatles no melhor estilo Doctor Who.

Hora da pausa em TLV porque o universo expandido de Doctor Who é grande, vasto e algumas muitas vezes melhor do que as coisas que aparecem na TV. É o caso desse áudio, uma grande homenagem aos Beatles – e à música.

“Dizem que se você se lembra dos anos 60 é porque você não esteve lá.

O Doutor se lembra dos anos 60. É por isso que ele está levando Nyssa a um passeio até novembro de 63. De volta para onde tudo começou. De volta ao nascimento da maior banda da história da música britânica. De volta para ver aqueles quatro garotos revolucionários de Liverpool…

Mark, James e Korky. Os Common Men. Os rapazes que fizeram os anos 60 dançar com músicas como Oh, Won’t You Please Love Me?, Just Count To Three e Who Is That Man.

O Doutor se lembra dos anos 60. E há alguma coisa muito errada com os anos 60 se os Beatles não existiram…”

Escrito por Eddie Robinson, Fanfare é a aventura número 178 da Monthly Adventures e foi lançada em setembro de 2013. Mas agora no mês de outubro de 2020 o áudio ganhou uma nova capa e um relançamento em vinil, uma verdadeira peça de colecionador.

“Mas ADM, o que é Monthly Adventures?” A MA é linha principal de áudios da Big Finish. São aventuras full cast, ou seja, com elenco completo, estrelando o Quinto, Sexto e Sétimo Doutores. É na MA que esses Doutores são realmente valorizados, com ótimas histórias e sem as limitações (tanto financeiras quanto de boa vontade) que a BBC impunha nos anos 80.

Este áudio, em especial, é um primor de produção. Até músicas para os Common Men foram compostas – e são bem chicletinho anos 60.

Vamos começar pelo título: Fanfare for the Common Man é uma música intrumental da banda Emmerson, Lake & Palmer, uma daquelas coisas longuíssimas do rock progressivo e que poderia ser o tema de abertura de qualquer spin-off de Doctor Who. Eddie Robinson fez uma belíssima homenagem chamando o seu grupo de Common Men.

Homenagem número 2: uma parte da história se passa em novembro de 63 – o mês em que as duas maiores instituições britânicas explodiram: os Beatles (com o álbum With The Beatles, lançado em 22 de novembro) e Doctor Who (que estreou no dia seguinte). O áudio foi lançado em 2013, nos 50 anos dessas duas efemérides. Como diria o craque Neto, baita homenagem.

Além disso, ser o Quinto a passar por tudo isso também é especial, já que Peter Davison era músico antes de ser ator.

Começamos o áudio com o Quinto no modo fanboy completo levando Nyssa para conhecer os Beatles – ou melhor, para ver os Beatles descendo do avião… Mas quem aparece não são quatro cabeludos de Liverpool, mas sim três pessoas completamente desconhecidas – para o Doutor, já que a multidão sabe muito bem quem eles são: Mark, James e Korky, os Common Men. Nyssa não entende porque o Doutor está tão confuso, e ele explica que alguém mexeu no tempo, que na realidade em que eles deveriam estar, aquelas três pessoas nunca existiram e/ou foram famosas.

De repente alguém aparece no meio do povo e aponta uma arma para os cantores. Nyssa pula em cima do criminoso e os dois são teleportados. No meio da confusão o Doutor conhece Rita, uma fã dos Common Men que vai ser uma companion pontual no episódio.

Os três artistas agradecem ao Doutor e Rita e os levam para uns bons drinks em agradecimento. A moça e a banda vão abastecendo o Doutor com informações: sim, eles conheceram os Beatles, até tocaram com eles, mas John e Paul foram convocados para o exército e a banda nunca foi pra frente; o irmão de Rita também serviu o exército e morreu em um exercício militar. Isso chama a atenção do Quinto, já que o serviço militar obrigatório deixou de ter esse status em 1960 e foi extinto de vez em 1963.

Enquanto isso, Nyssa foi parar na Alemanha, em um dos primeiros shows dos Common Men, e Korky se encanta por ela.

O Doutor e Rita vão para a Tardis e começam a percorrer a carreira da banda, tentando descobrir quem mexeu com o tempo. Numa primeira tentativa, a Tardis não consegue pousar em 1960 – alguém lacrou temporalmente o perído. Eles conseguem pousar em outro momento de 1963, e vão a um show dos Common Man, onde o Doutor quase é linchado pelos fãs ao falar em voz alta que os Beatles eram melhores.

Cada bloco do áudio começa sempre com o depoimento de James. E tudo o que ele vai contando é exatamente o que aconteceu na carreira dos Beatles: os shows em Liverpool, a Beatlemania, a teoria da conspiração da morte do Paul, as diferenças criativas, a fase do guru indiano, até a separação.

E é o guru indiano (que não é bem um guru, mas sim um alien de um povo com sensibilidade temporal refugiado na Terra), junto com o Doutor que matam a charada: James, Mark e Korky são alienígenas. Nyssa, em outro ponto do tempo, também percebe que os rapazes não são desse planeta.

Nesse meio tempo entra em cena Lenny Kruger, que vai funcionar como empresário dos Common Men e é um daqueles sujeitinhos bem asquerosos. Mas Lenny é mais do que um mero empresário: é ele quem manipula o tempo para tornar os Common Men o que eles são. Ele é do mesmo planeta dos três músicos, uma raça que depende do aplauso e da fama para viver.

Quando a banda se separa (já que eles seguem o mesmo caminho dos Beatles), Lenny manda para James uma caixa com fotos de todos os shows e viagens da banda. É 1970 e um James muito deprimido está dando entrevista para Rita – agora uma jornalista musical; e o que era pra ser uma entrevista de duas horas se tornou uma maratona de seis dias e vinte fitas cassete de desabafo. Ao sair para a rua para comprar mais fitas, Rita tromba com o Doutor e os dois voltam para o apartamento do músico. Em uma das fotos, o Quinto vê Nyssa e James fala mais sobre a garota (que ainda está presa em 1960). E quanto mais ele lembra, mais a verdadeira natureza alien dele aparece e o músico vai se transformando numa espécie de Hulk turbinado por memórias.

Numa brecha o Doutor destrói as fotos. Lenny aparece e explica que precisa dos três músicos juntos para potencializar o efeito dos aplausos e, por consequência, a sobrevivência de seu povo, mas ele acaba matando James e é perseguido pela polícia. O Doutor consegue reverter tudo o que o falso empresário fez e consertar a linha do tempo, fazendo os Beatles voltarem a existir e os Common Men serem só mais uma banda como outras tantas dos anos 60.

Apesar de ser uma história de perseguição no tempo – tem horas que a ação se dá em três fases da vida de James, Mark e Korky quase que simultaneamente – a graça do plot é a quantidade de vezes que o Doutor faz referência às músicas dos Beatles e a fanboyzice na voz do Davison ao lembrar dos anos 60.

É um áudio longo? É, tem uma hora e quarenta e cinco minutos. Mas é dividido em quatro blocos, então dá pra ir ouvindo aos poucos. Aliás, esse é o lado bom dos áudios da Big Finish mais longos: eles têm a estrutura dos arcos da série clássica e cada história é formada por “episódios”. Tem lado ruim? Tem; chega uma hora que todas as vozes são iguais, você não sabe mais quem é quem e precisa voltar uns cinco minutos pra se situar novamente. Mas é uma questão de hábito: quanto mais você ouve, menos isso acontece.

Voltamos qualquer hora dessas com mais reviews da firma do tio Nick. Fiquem ligados!

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