The Eighth Of March – O grande encontro das mulheres de Doctor Who.

“Espalhadas pelo tempo e pelo espaço, há muitas mulheres cujos caminhos cruzaram com o do Doutor. Algumas foram companheiras de viagem na Tardis, outras foram leais aliadas defendendo a Terra, e a última foi esposa do Doutor. Da Londres vitoriana a uma convenção intergalática, dos escritórios da UNIT até uma impossível biblioteca universitária – em 8 de março, quatro diferentes aventuras irão se desenrolar.”

O que acontece quando a Big Finish junta oito mulheres importantes de Doctor Who? Várias bundas chutadas e, claro, um tiquinho de fofoca sobre o Doutor.

The Eighth of March é uma antologia de 4 histórias, um box escrito, produzido e dirigido por mulheres. Lançado em 8 de março de 2019, suas histórias cruzam personagens de eras e mídias completamente diferentes – porque a Big Finish sabe o quanto a gente gosta de um crossover. As personagens envolvidas na história são:

  • River Song (Alex Kingston): arqueologista, aventureira e esposa do Doutor, River é essa mulher maravilhosa que a gente ama demais;
  • Bernice Summerfield (Lisa Bowerman): pra quem não conhece Benny, ela foi a inspiração do Moffat para criar a River. Personagem do universo expandido, ela é uma humana do século XXV que aparece pela primeira vez num prequel do livro Love And War, do Paul Cornell, lá da Virgin New Adventures com o 7º Doutor e tem um spin-off na Big Finish.
  • Leela (Louise Jameson): a Leela foi companion do Quarto Doutor, lá nos anos 1970 ainda – a primeira aparição dela foi em The Face of Evil, na temporada 14. Ela deixou o Doutor pra continuar em Gallifrey, casada com Andred, um membro da Guarda da Chancelaria, e se torna guarda-costas de Romana II quando esta se torna Lady Presidente;
  • Ace (Sophie Aldred): Dorothy McShane, a garota que derrotou um Dalek com um taco de baseball e que se tornou uma milionária e filantropa na vida adulta, companion do Sétimo Doutor.
  • Madame Vastra e Jenny Flint (Neve McIntosh e Catrin Stewart): o casal Vastra e Jenny forma dois terços da Paternoster Gang. Apareceram pela primeira vez em A Good Man Goes To War, e ganharam um spin off na Big Finish muitíssimo necessário para conhecermos o passado dessa dupla.
  • Petronella Osgood (Ingrid Oliver): criada para ser uma homenagem ao fandom no especial de 50 anos, menina Osgood fez tanto sucesso que ganhou uma irmã gêmea Zygon e mais algumas participações na TV e no universo expandido.
  • Kate Stewart (Jemma Redgrave): a Brigadeira, chefe da UNIT e herdeira do BFF do Doutor Brigadeiro Leathbridge-Stewart.

As quatro histórias são independentes – dessa vez não tem um arco que as une no final, como a grande maioria dos boxes da Big Finish. Por isso, você pode ouvi-las em qualquer ordem e/ou a qualquer momento – o que é uma coisa boa pra quem não está acostumado com os áudios da Big Finish.

1.1. Emancipation (Lisa McMullin)

“Quando River Song invade a convenção da Herança Galáctica, se passando por outro Senhor do Tempo, Leela é mandada por Gallifrey para investigar. Mas antes que os canapés esfriem e a champanhe esquente, elas se veem no meio do sequestro de um membro da realeza.”

River chega na convenção da Herança Galáctica se passando por Romana II, presidente de Gallifrey – porque se for pra mentir, que seja logo no topo da hierarquia. É claro que a própria Romana percebe e manda Leela para investigar. Mas mal elas se encontram e se veem no meio do sequestro de uma princesa que está destinada a ser sacrificada aos deuses como uma oferenda de paz.

A história da princesa e a mitologia do seu povo é interessante, e menina River querendo arrumar as coisas também, mas eu gostaria de um pouco mais de revelações nas conversas entre ela e Leela. Talvez se fosse parte de um dos boxes da River a história pudesse ser melhor desenvolvida.

1.2. The Big Blue Box (Lizzie Hopley)

“Com o Doutor sumido, Benny e Ace são deixadas sozinhas, precisando se passar por nativas na Universidade de Liverpool. Benny aceita um convite que não deveria aceitar, e Ace conhece um estranho colecionador. Uma biblioteca alienígena está prestes a ganhar um grande livro azul… mas onde está a Tardis?”

Apesar dos seu spin-off, não se tem muitas histórias da Bernice andando na Tardis. Nessa história, o Doutor saiu pra dar um passeio e largou Ace e Benny sozinhas em Liverpool, as duas precisando se virar pra sobreviver.

O ponto central do áudio é o mistério de pessoas desaparecendo, entre elas o colega de casa da Ace, um rapaz chamado Harvey. Enquanto Benny acaba atraída para uma cilada, Ace tem que descobrir o que se passa em uma biblioteca misteriosa e os segredos do colecionador que mora nela.

É uma daquelas histórias que poderiam ser transportadas para a TV, porque ela requer demais da imaginação do ouvinte – e uma das reclamações das pessoas que torcem o nariz pra BF é que elas não tem o conhecimento visual que um áudio requer. E, convenhamos, seria lindo.

1.3. Inside Every Warrior (Gemma Langford)

“A Grande Detetive, Madame Vastra, ajudada por sua engenhosa esposa Jenny Flint e seu leal mordomo Strax, está investigando uma série de misteriosas invasões. Um excêntrico cientista e seu assistente são as últimas vítimas. As evidências são pegadas de animais e um rastro de destruição.”

Essa história serve como um prequel para Heritage, a série da Paternoster Gang na Big Finish e que foi lançada um pouco depois. Essa semana eu vi uma @ famosa do WhoTwit falando que não suporta o trio. Meu problema com eles não é não gostar; é o fato de que eles simplesmente aparecem – não tem história de fundo, a gente não sabe onde/como os três conheceram o Doutor nem como eles acabaram juntos. Inclusive, essa é uma das minhas maiores brigas com as pessoas no tocante à s6 e, especialmente, a A Good Man Goes To War: simplesmente não faz sentido. É um episódio que tem tanta coisa acontecendo ali sem a gente saber de onde aquilo surgiu, que podia muito bem ser o finale de uma temporada que explicou tudo isso. Enfim, só um desabafo.

É um plot baseado na subversão de expectativas – começa com a investigação dos arrombamentos, passa por um lobisomem, e traz discussões sobre feminismo e abuso de poder dos mais privilegiados. E, claro, Strax como alívio cômico. Uma boa história de detetive, que te prende do início ao fim.

1.4. Narcissus (Sarah Grochala)

“Quando um dos seus desaparece, Kate Stewart e as Osgood decidem investigar. Narcissus está interessado apenas nas pessoas mais belas, mas como os agentes da UNIT estão prestes a descobrir, seu verdadeiro propósito está bem longe do que se pensava”.

É uma UNIT depois dos acontecimentos de Zygon Invasion/Inversion, com as duas Osgood e Kate Stewart.

Quando usuários de um app de namoro começam a desaparecer, entre eles um membro da UNIT, Kate e as Osgood decidem investigar. É um áudio que tem mais de uma camada: superficialmente, é mais um plot de desaparecimento e de aliens se aproveitando do que a sociedade humana lhes apresenta para seus próprios fins. No fundo, é uma história sobre os limites da privacidade na era digital, autoestima e a necessidade do ser humano de amar e ser amado.

O mais legal é ouvir a Ingrid Oliver quando as duas Osgood estão em cena e como a atriz dá personalidade a cada uma delas – extremamente importante quando não se tem o auxílio visual.

The Eighth of March mostra bem como as mulheres são vistas e tratadas ao longo do tempo, como elas manipulam e são manipuladas. Não é um manifesto feminista – pra isso existem os áudios da River. No fim, ela atinge o seu propósito: uma celebração e uma homenagem a algumas das mulheres que fizeram a história de Doctor Who nesses quase sessenta anos.

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