The Ninth Doctor Adventures: Ravagers | Aquele em que o Ecclie está de volta!

Ele está de volta! E é como se nunca tivesse ido embora.

Um pouco de história antes. Em fevereiro de 2020, antes do pandemônio tomar conta do planeta, Chris Eccleston foi convidado na GallyOne – uma das maiores convenções de Doctor Who, que acontece em Los Angeles todos os anos. Quem estava lá também era Jason Haigh-Ellery, o chefão da Big Finish. E ali, no meio de todo aquele amor sendo passado para ele, Ecclie decidiu que era hora de, finalmente, ouvir a proposta da Big Finish.

Depois de muita conversa e muita análise de roteiros, Chris e a Big Finish chegaram a um acordo e em 9 de agosto de 2020 nós finalmente tivemos a notícia que muitos já haviam perdido a esperança em receber: Christopher Eccleston e seu Nono Doutor estavam de volta para, a princípio, 12 histórias divididas em 4 boxes, com lançamentos em maio, agosto e novembro/2021 e fevereiro/2022.

Ravagers não é, porém, a primeira história do Nono Doutor na Big Finish. Anteriormente, o personagem apareceu em:

  1. Destiny of the Doctor: The Night Of The Whisper, que faz parte do especial de 50 anos da BBC Audio, produzida pela Big Finish, com roteiro do Cavan Scott (pra mim, a pessoa que melhor escreve o Nono – leiam os quadrinhos).
  2. The Ninth Doctor Chronicles, a linha de aventuras dos Doutores com a participação de alguns atores originais (aqui, Camille Coduri e Bruno Langley reprisando os papeis de Jackie Tyler e Adam Mitchell). São 4 histórias independentes, com narração de Nick Briggs: The Bleeding Heart (Cavan Scott – 9/10); The Window On The Moor (Una McCormack, história com as irmãs Brontë – 8/10); The Other Side (Scott Handcock, se passa entre Daleks entre The Long Game – 7,5/10); Retail Therapy (James Goss, com a Jackie sendo a estrela do áudio – 9,5/10).
  3. Battle Scars (Selim Ulug) – uma Short Trip de julho/2019, narrada pelo Nick Briggs. É uma história que eu recomendo demais que vocês ouçam porque: a) ela dá a entender ser a primeira aventura pós-regeneração do War no Nono; b) ela conta a história da família que o Doutor salvou de estar no Titanic, cuja foto o Clive mostra para a Rose – 9,5/10.
  4. Her Own Bootstrap (Amy Veers) – outra Short Trip, essa lançada em setembro/2020, e que conta mais uma história que o Clive mostrou para a Rose – dessa vez, no Krakatoa. 9/10.

Como as três histórias de Ravagers são, na verdade, três partes da mesma história (roteiro do patrão Nick Briggs), eu vou fazer um pouco diferente: vou colocar a sinopse das três e fazer os comentários depois, OK?

Sphere Of Freedom: na Esfera da Liberdade, o Doutor está prestes a derrubar um sinistro império de Jogos Imersivos. Ele é auxiliado por uma valente chef de cozinha chamada Nova. Mas o plano dele falha espetacularmente… e quem exatamente é Audrey?

Cataclysm: Nova é deslocada no tempo enquanto os Time Eddies estão fora de controle. Enquanto isso, o Doutor está prestes a encarar o fim do Universo – ou seria apenas a Batalha de Waterloo?

Food Fight: a TARDIS está começando a ficar um pouco cheia! Audrey se vê assombrada por um Doutor fantasmagórico.

O primeiro áudio começa como se a aventura já estivesse se encaminhando para o fim. O Nono está na TARDIS, guiando essa moça chamada Nova por uma espécie de esgoto enquanto ela tenta escapar de algo ou de alguém – ele a está esperando na praça central da Esfera da Liberdade. Enquanto ele espera, uma mulher chamada Audrey encosta e começa a puxar papo; é quando tudo começa a dar errado.

À medida que o Doutor e Audrey vão conversando a gente vai descobrindo o que aconteceu: o Nono aportou nessa Esfera para investigar a Immersive Games, um império de jogos de realidade aumentada e que serve de alimento para criaturas chamadas time eddies, que deslocam pessoas no tempo. Foi assim que centuriões romanos apareceram em Piccadilly Circus em 1959, ou que um tanque russo surgiu no meio da Batalha de Waterloo.

Quando Nova é pega por um desses seres e deslocada no tempo, Audrey se revela e diz que o Doutor apareceu fora da ordem correta. É aqui que a trama vira timey-wimey total, com Cataclysm e Food Fight servindo para desenrolar todas as linhas temporais – o Doutor começa a fazer uma espécie de engenharia reversa, voltando até o momento em que ele primeiro encontra Audrey e Nova.

Ravagers tem tudo o que a gente gosta em um episódio de Doctor Who: muita ação, humor e drama. São quase duas horas e meia de áudio com uma história muitíssimo bem amarrada e com alguns plot twists que você não vê vindo.

Eu estou completamente apaixonada pela Nova (Camilla Beeput). Ela é totalmente companion material: simpática, com raciocínio rápido e proatividade. Ela é uma chef de cozinha e quem traz a crítica social foda que a gente tanto ama na série: assédio sexual do superior (que ela resolve dando com uma frigideira na cabeça do cidadão), direitos trabalhistas (na Esfera, eles trabalham por comida) e grandes corporações (o lugar pode se chamar Esfera da Liberdade mas na verdade trata todos como escravos). Nova só quer sair dali e o Doutor promete isso a ela.

Já Audrey (Jayne McKenna) é uma daquelas personagens complexas, que quer fazer a coisa certa e consertar seus erros – o problema é: enquanto ela acha que X é o jeito certo pra consertar tudo, o Doutor diz que não é assim que as coisas funcionam. Sabe aquela seu amigo equivocado, que quer ajudar mas só piora a situação? É a Audrey.

Eu preciso fazer uma menção honrosa à música desse box. A trilha sonora é do Howard Carter, o design de som é do Iain Meadows, e ambos fazem um trabalho primoroso – eu recomendo que vocês ouçam com um fone extrauricular de boa qualidade, a sensação em certas partes do áudio (mais especificamente a versão “fantasma” do Doutor que aparece para a Audrey) é realmente a de uma alucinação da personagem.

Já no fim de Food Fight o Doutor confronta os Ravagers e descobre que eles se alimentam de fortes emoções, a que eles chamam de “doçura”; ao que o Doutor fala: Eu prometo que vou trazer a doçura de volta às suas vidas. É isso que Ravagers faz: ele traz a doçura da voz de Chris Eccleston de volta às nossas vidas, nos deixando com um sorriso bobo no rosto e a sensação de que, nem que seja por aquelas duas horas e meias, tudo está bom no mundo de novo.

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