Top 20 da Monthly Range | Parte 1: Cybermen, Daleks, História e Projetos Secretos com o 5th

Em maio de 2021 a Radio Times fez uma pesquisa com os seus leitores: quais os 5 melhores áudios de cada Doutor clássico? Foi uma homenagem ao fim da Monthly Range, depois de 21 anos e quase 300 episódios.

Eu adorei a ideia! Alguns dos áudios escolhidos eu já havia ouvido — e dois deles estão na minha lista de histórias favoritas de Doctor Who independente da mídia. Então, porque não revisar todos os 20? E é pra isso que estamos aqui!

Alguns áudios estão disponíveis no Spotify (e quando estiverem, é só clicar no título pro link) pra você ouvir de graça — infelizmente, é só uma pequena parte, mas é melhor do que nada.

Então, sem mais delongas, vamos começar pelo Quinto Doutor que tem, na verdade, 6 áudios, já que um dos boxes escolhido é duplo. As resenhas vão ser feitas por data de lançamento, do mais antigo pro mais novo, ok?

1. The Mutant Phase (Nicholas Briggs)

No século XXII os Daleks ocuparam o planeta Terra. No século XLIII, apenas um punhado de humanos sobreviveu. Mais além do futuro distante um cientista Thal precisa escolher se trai a sua herança ou se vê o universo ser destruído.

Quando o Doutor e Nyssa se veem presos nessa mortal cadeia de eventos, eles precisam decidir quem é o inimigo real. O certo é que, independente de onde o Doutor vá, os Daleks estarão esperando por ele.

O que poderia ser pior que isso? A Fase Mutante…

Esse áudio foi lançado em dezembro de 2000 e é o número 15 da Monthly Range.

Confesso que eu não sou lá muito fã das histórias de Daleks, porque elas tendem a se repetir depois de um tempo: ou eles têm seus planos malignos interrompidos pelo Doutor, ou eles precisam da ajuda do Doutor para livrá-los de algum problema e, em consequência, terem seus planos malignos interrompidos pelo Doutor. Poucos episódios, como Dalek, com o Nono, são exceção à essa regra.

Outra coisa que me faz não gostar muito de histórias de Daleks é a falta de personalidade deles — talvez, por isso, minhas histórias prediletas deles acabam tendo pelo menos um Dalek com o mínimo de personalidade, como em Time Lord Victorious. Resumindo: eu gosto de roteiros que façam o patrão Nick Briggs trabalhar.

Esse áudio faz isso. Primeiro, que é um sci-fizão muitíssimo bem escrito. A Tardis está em um corredor temporal que faz com que o Doutor e Nyssa — eu adoro os dois juntos — passem por três linhas temporais diferentes para evitar a ocorrência da “fase mutante”, uma espécie de vírus que ataca os Daleks. Você já ouviu um Dalek com medo? É uma interpretação maravilhosa do Briggs, que vale pelo áudio todo.

Ainda tem o drama da Nyssa, que logo no começo é picada por uma por uma das abelhas que causaram a morte dos sobreviventes da Invasão Dalek de 2157 — sim, aquela do Primeiro e da despedida da Susan — bem como os Thal ajudando os Daleks, em um paradoxo meio estranho.

No Spotify está dividido em 4 partes de mais ou menos meia hora cada, então dá pra ouvir de boa.

8/10

2. Spare Parts (Marc Platt)

Em um planeta escuro e congelado, onde planeta nenhum deveria estar, em uma cidade condenada com um céu de pedra, os últimos habitantes do planeta gêmeo da Terra, há muito perdido, pagam qualquer preço para sobreviver, ainda que os bisturis laser custem a eles o amor, o ódio e a sua humanidade.

E nas ruas infestadas de tapetes, perto da hora do chá, o Doutor e Nyssa desenterram um mercado negro de partes de corpos usados e enfrentam a polícia e seus cavalos, ambos aprimorados.

E entre a parada do bonde e o cinema, suas piores suspeitas se confirmam: os Cybermen estão apenas começando e o Doutor será, como sempre foi, seu salvador…

Esse áudio foi lançado em julho de 2002 e é o número 34. Ele é um dos mais famosos áudios da Big Finish não só pela qualidade, mas também por ser uma espécie de Genesis of the Cybermen. Na minha opinião, é top 10 melhores roteiros já escritos em Doctor Who, independente da mídia.

De novo a dupla Quinto e Nyssa em um áudio sombrio e, por vezes, doloroso, já que os mondasianos chegam ao extremo de se transformar em Cybermen para sobreviverem.

Eu não tenho muito o que falar sobre, na verdade. O desespero do Quinto em querer sair de Mondas na hora em que descobre onde ele está já dá o tom do que vem pela frente. Uma montanha russa de emoções e alguns poucos momentos de humor fazem desse áudio a melhor história de Cybermen já feita. Vocês precisam ouvir pra entender.

10/10

3. The Lady of Mercia (Paul Magrs)

A TARDIS leva o Doutor, Tegan, Turlough e Nyssa para a Universidade de Fordsham, perto de onde a rainha guerreira Æthelfrid lutou uma desesperada e sangrenta ação de retaguarda contra os selvagens dinamarqueses. Mais de mil anos depois, em 1983, a batalha ainda está sendo travada, com ativistas estudantis sofrendo cortes violentos no financiamento… e interrompendo uma conferência sobre Æthelfrid convocada pelo professor de história John Bleak.

Enquanto isso, no departamento de física, a doutora Phillipa Stone está trabalhando noite e dia em um projeto ultrassecreto — mas será que sua máquina do tempo teórica pode realmente ser a solução para os problemas da universidade?

O presente e o passado estão prestes a colidir — e os resultados, como a equipe da TARDIS está prestes a descobrir, estarão longe de ser acadêmicos.

Esse é o áudio número 173 e foi lançado em maio de 2013. Apesar da TARDIS cheia, quem brilha nesse áudio é a Tegan.

Começamos com um professor de história casado com uma professora de física que constrói uma máquina do tempo. E enquanto o professor Bleak e Tegan são enviados para a corte da rainha Ethelfrid, a princesa é enviada para os anos 80.

As histórias correm em paralelo, passado e presente, com Tegan tendo que se passar pela princesa e a princesa sofrendo um choque cultural.

Mas se você não gosta de Tardis cheia, esse áudio não é pra você.

8/10

4. The Peterloo Massacre (Paul Magrs)

“Eles dizem que haverá milhares de pessoas chegando em Manchester amanhã. De todo o condado, do norte e do sul. Será um pedaço da história. As pessoas vão se lembrar disso.”

Perdida na poluição da Revolução Industrial, a TARDIS cai 4 milhas ao sul de Manchester, no terreno de Hurley Hall — uma grande mansão pertencente a um proprietário de fábrica local, um homem que orgulhosamente fez sua fortuna sozinho. Mas enquanto Hurley sonha em ficar mais rico com o conhecimento escondido na máquina de espaço-tempo do Doutor, seus empregados esperam apenas um pagamento justo para um dia justo de trabalho. Sua jovem empregada Cathy, por exemplo, que Nyssa descobre estar ansiosa para se juntar à marcha dos trabalhadores ao Campo de São Pedro, no coração da cidade. Haverá discursos, e cartazes e música. Será uma grande feira…

Ou então ela pensa. Pois os estabelecimentos da cidade convocaram as suas próprias milícias para controlar a multidão. Um dos dias mais sombrios da história de Manchester está prestes a se desenrolar — e o Doutor, Nyssa e Tegan estão bem no meio.

Esse é o áudio número 210, lançado em março de 2016, e é baseado em fatos reais. O Massacre de Peterloo ocorreu em Manchester em 16 de agosto de 1819 (coincidentemente, o dia que eu comecei a escrever esse post). Nesse dia, pelo menos 14 pessoas morreram e entre 400 e 700 ficaram feridas depois que a cavalaria investiu contra as pessoas que estavam reunidas em uma manifestação no Campo de São Pedro a favor de reformas eleitorais e políticas. Para saber mais, fica o link.

É um daqueles episódios em que Doutor e companions estão no lugar errado, na hora errada, e precisam fazer de tudo para sobreviver — e sem poder mexer na história, já que o massacre é um daqueles pontos fixos no tempo.

E apesar de ser uma história que se passa no século XIX, ela é mais atual que nunca: má distribuição de renda, luta de classes, brutalidade policial, trabalho infantil, direitos trabalhistas, a influência dos ricos e poderosos na polícia e na mídia. Se você acha que Doctor Who não é político (só alguns episódios que são) fique longe.

8/10

5. Alien Heart (Stephen Cole) e Dalek Soul (Guy Adams)

Alien Heart: “Na TARDIS, o Doutor e Nyssa tropeçam em uma trilha de dez mundos destruídos, todos eles obliterados por meio de algum dispositivo totalmente monstruoso, mas totalmente desconhecido. O planeta Traxana parece ser o próximo da fila para sofrer o mesmo destino. Mas quando a TARDIS pousa em um posto avançado de uma lua de Traxana, Nyssa é levada por uma maré de aracnóides verdes gigantes, deixando o Doutor para trás. E a ameaça que se aproxima está mais perto do que ele pensa.

Dalek Soul: “No planeta Mojox, ocupado pelos Daleks, um grupo de rebeldes está envolvido em uma revanche inútil contra os invasores — mas, finalmente, eles encontraram um aliado, na forma do misterioso Doutor. Em outro lugar, no entanto, a virologista chefe dos Daleks está procurando aperfeiçoar uma arma biológica para exterminar os Mojoxalli de uma vez por todas. O nome dela é… Nyssa.”

Lançado em abril de 2017, são duas partes de uma mesma história.

A primeira é bem feijão-com-arroz. Já a segunda parte traz um Quinto um tanto quanto diferente: sai o bom moço, entra o Doutor no modo sangue nos olhos — uma versão que me agradou demais, inclusive.

Em um mundo ocupado pelos Daleks, Nyssa é a virologista chefe dos Daleks, e pesquisa a criação de uma arma química que derrote os rebeldes de Mojox; já o Doutor está trabalhando para os Daleks, infiltrado nos rebeldes, e sendo um verdadeiro cretino.

Você passa boa parte do tempo se perguntando “mas que cazzo está acontecendo???”, o que é uma ótima situação em uma história de Daleks — como eu disse acima, elas tendem a ser previsíveis. Junte a isso as ótimas atuações de Peter Davison e Sarah Sutton e temos uma daquelas histórias que a gente fica imaginando como se sairia na TV.

8,5/10

Essa é só a parte 1. Ao longo das próximas semanas eu vou fazer a review dos demais Doutores, então fiquem ligados!

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