Conto traduzido | Um Dia Para Nós Mesmos

Oie! Tudo bem com vocês? Que bom 🙂

A BBC liberou um conto do livro The Wintertime Paradox, livro lançado em 2020, contando uma história festiva do Nono Doutor.

“Os motores rugiram, e o tempo rugiu de volta, lavando o casco da TARDIS em ondas azuis e douradas. A realidade se abriu para a caixa de madeira que girava, afunilando-a por uma tempestade de segundos, e então a colocando de volta em seu lugar tão arrumada quanto papel de embrulho.

O Doutor passou pelas portas, com seu melhor e mais feroz sorriso.

Olá’, disse ele com pompa. ‘Eu sou o Doutor e estou aqui para salvar o mundo.’

‘Que bom’, respondeu o recepcionista. ‘E me diga, o senhor tem hora marcada?’

‘O sorriso do Douto vacilou, então ele se recompôs, ajeitando as lapelas de sua jaqueta de couro preta. ‘Bom, eu sou um viajante do tempo’, respondeu alegremente. ‘Eu não agendo horário, na verdade.’

Isso normalmente causava reações. Era um dos detalhes favoritos do Doutor sobre o universo além de Gallifrey, mas também o mais confuso. Para os Senhores do Tempo, viajar no tempo era tão empolgante quanto os correios. Era quase sempre mais barato, mais confiável, e todo mundo usava. Sim, algumas vezes demorava muito para chegar ao destino desejado, e algumas vezes as coisas davam completamente errado, mas, no geral, era só mais um fato cotidiano e você era visto como maluco se falasse muito sobre isso, especialmente em festas. Os não-gallifreyanos, porém, acreditavam que viajar no tempo era mágico, enquanto ignoravam as invenções mais impressionantes de suas próprias culturas. Como, por exemplo, um sistema de entrega em que se paga uma libra para ter um pedaço de papel dobrado dentro de outro pedaço de papel dobrado levado de Bingley para Guam.

Se o recepcionista ficou impressionado, ele estava fazendo um bom trabalho em esconder o fato. Seu rosto enrugado tinha a expressão severamente agradável comum a todos os recepcionistas ao lidar com as massas ignorantes e sem hora marcada. Este foi outro pequeno detalhe que o Doutor achou interessante: estivesse você lidando com um samurai recepcionista de três metros de altura em Hegetory Prime ou com a Recepcionatrix do tamanho de um planeta em Doze Lamentadores, havia um olhar. Todos eles tinham. Ele sempre quis tirar um final de semana para investigar o porquê, mas provavelmente teria que marcar uma hora para fazê-lo.

Desculpe, mas o senhor precisa ter hora marcada. Nós temos uma manhã cheia aqui na Moveomax Cartões Festivos’, disse ele, verificando a tela embutida em sua mesa.

Seu crachá dizia winston. Winston era um recepcionista samurai de três metros de altura, infelizmente, mas a Moveomax Cartões Festivos aparentemente era o tipo de empresa que investia em seus funcionários, e oito braços segmentados de metal saiam de seus ombros, cada um com o logotipo da empresa.

‘Ah’, respondeu o Doutor. ‘Entendi. Exceto que, espere um pouco. Por que eu não quero esperar.’. Ele olhou à sua volta. ‘Não tem algum tipo de… emergência em que você precise de ajuda?’.

O recepcionista olhou ao redor na sala de espera. A Moveomax Cartões Festivos estava na vanguarda de cartões holográficos personalizados do Século XXIV. O Doutor sabia disso porque a informação estava gravada na parede em letras tão brilhantes que causavam enxaqueca. Abaixo do letreiro havia um pequeno sofá desconfortável, uma mesinha de centro com uma seleção emoldurada dos cartões mais vendidos e um vaso de plantas. Dracena marginata, o Doutor pensou. Infelizmente, tirando a planta desesperada por água, não havia nenhum sinal de emergência.

‘Acho que não’, disse Winston. ‘Desculpe.’

O Doutor fez uma careta. ‘Bem, eu não quis dizer aqui, especificamente’. Ele tentou injetar alguma leveza na voz. ‘Eu realmente não resolvo problemas de escritório. Geralmente as emergências que eu resolvo são mais… globais’.

Winston fungou. ‘Nós fazemos negócios com dezessete planetas, sabe.’

‘Oh, não’, disse o Doutor apressadamente. ‘Eu não quis ofender’.

Ele estava ficando frustrado, e levou um tempo para se lembrar que ficar frustrado, na verdade, era bom. Frustração, ele decidiu, era algo que essa versão do Doutor iria sentir muito, porque frustração significava que ele não estava ganhando. O Doutor havia ganho uma guerra recentemente; ele agora não queria vencer mais nada.

Pegou o pequeno calendário que estava na mesa do recepcionista. Era da Moveomax, e a imagem do Papai Noel à frente era animada, movendo-se para frente e para trás e acenando para o Doutor. Papai Noel também tinha a marca Moveomax.

‘É vinte e três de dezembro, não?’, disse o Doutor. ‘No ano de 2321? E este é o planeta Eirene? Coordenadas galácticas 51-2-89-14:2? Depois da estrela vermelha vacilante e do cometa cheio de partes amarelas?’

‘Aqui é Eirene e essa é a data’, Winston confirmou. “Eu não estou cem por cento certo sobre todas as outras coisas que você disse.’

‘Ok, boa’, disse o Doutor. ‘Maravilhoso. Fantástico. É só que… vocês deveriam estar sendo invadidos nesse exato momento.’

O recepcionista verificou sua tela novamente.

O Doutor esperou pacientemente, ou com o máximo de paciência que o Doutor já esperou por alguma coisa. O que significava que ele rodou os dedos, cruzou e descruzou os braços um sem número de vezes e, distraidamente, calculou a inclinação axial de Eirene com base na posição do sol e da última vez que os braços mecânicos de Winston haviam sido ajustados.

O quinto e sexto braços de Winston ajustaram os óculos dele no lugar. ‘Receio não saber de nada sobre “invasão”‘.

‘Sério?’, disse o Doutor. ‘É uma invasão de Gnarlmind, se está bom pra você? Mais ou menos como ratos, ou pior. Ratos gigantes. Mas em naves espaciais. Acho que deve começar por volta das duas?’

‘O recepcionista pensou por um momento. ‘Oh! Oh, sim. Ratos grandes. Eu me lembro agora.’

‘Ufa’, disse o Doutor, aliviado. ‘Então, se você puder apontar pra que…’

‘Já foi tudo resolvido, na verdade’, Winston respondeu. ‘Muito obrigado, porém.’

‘Resolvido?’, perguntou o Doutor. ‘Como assim, resolvido? Isso não é um atolamento de papel na impressora’. O Doutor se conteve. Ele estava demorando a se acostumar com esse negócio de frustração. ‘Desculpa. É só que deveria haver cerca de quarenta e três milhões deles. Eu tinha todo esse discurso preparado sobre como, diante de uma horda, basta uma pessoa para fazer a diferença; Quem resolveu o problema?’

‘Um homem’, respondeu Winston. ‘Ele também não tinha hora marcada’. Seus olhos vagaram pela jaqueta surrada do Doutor. ‘Mas ele estava mais bem vestido. Usava terno. Sapatos de cores vivas. Mais…’ Limpou a garganta. ‘Cabelo mais alto’.

O Doutor esfregou o couro cabeludo, constrangido. Alguns diziam que a regeneração era uma loteria, mas pelo menos nas loterias você apostava uma vez por semana e tentava a sorte novamente.

‘Ele não deixou o nome, infelizmente’, continuou Winston. ‘Foi tudo bem emocionante. Mas ele tinha uma caixa. Uma caixa igual à sua, inclusive’.

Ele apontou para a TARDIS. ‘Oh’, disse o Doutor. ‘Ah, entendi’.

‘Pensando bem, ele disse que alguém talvez passasse por aqui’. Winston cruzou quatro mãos pensativamente debaixo do queixo. ‘E eu creio que ele deixou pra você…’

Ele se virou para a prateleira atrás, pegando um envelope listrado de azul, com uma única palavra rabiscada na frente.

Quando ele se virou, o homem e a caixa haviam sumido.

Bem, pensou o Doutor, enquanto a TARDIS mergulhava mais uma vez no vórtex de tudo o que foi, será ou poderia ser. Iria acontecer algum dia, não?

Era. Definitivamente era. O Universo era era grande – real e verdadeiramente gigantesco – mas não era tão grande que coincidências não acontecessem. Ele estava sempre encontrando pessoas do seu passado. E de seu futuro, às vezes. Ele até encontrou consigo mesmo algumas vezes, apesar de que apenas em ocasiões especiais. Era o que acontecia quando você tinha interesses muito específicos – como histórias em quadrinhos ou Mega-Selos Chibolg. Simplesmente não havia tantas pessoas interessadas nas mesmas coisas então, inevitavelmente, vocês acabavam se cruzando.

Era claro que, uma hora dessas, outra versão de si mesmo iria acidentalmente roubar uma de suas aventuras.

‘Iria acontecer’, ele disse, dessa vez em voz alta.

As palavras ecoaram pela sala de controle. Não havia ninguém para ouvi-las. O Doutor geralmente viajava acompanhado. Viajar com mais alguém era metade da diversão. Se Peri estivesse lá, ou Jo, ou Sarah Jane, elas teriam dado risada da expressão rígida e confusa de Winston. Se o Brigadeiro estivesse lá, o Doutor poderia ter dado risada e o Brigadeiro teria feito uma careta bem-humorada. Leela teria se oferecido para esfaquear Wiston, e eles também teriam rido disso.

‘Eu me conformaria até com o Adric’, disse o Doutor com tristeza.

Isso não era nada bom. Era quase Natal, ou pelo menos tinha sido em Eirene. O Doutor decidiu, então, que também seria Natal para ele, porque um dos benefícios de morar em uma máquina do tempo era que você tinha o Natal sempre à disposição.

‘Eu vou salvar o Natal de alguém’, disse alegremente, e isso o fez se sentir melhor. Ele precisava tirar as coisas da cabeça. Seguir adiante. Continue se movendo, o mais longe que ele conseguisse.

‘Iria acontecer’, ele repetiu, e puxou uma alavanca que levou tanto ele quanto seus pensamentos para outro lugar.

O vento soava através da esfera de cristal de Zed Trief.

Ninguém sabia quem havia construído a esfera, ou a fez girar no vazio. Era um dos grandes mistérios daquele setor: de onde veio a esfera negra como a noite? Quem havia escavado os túneis lisos como espelhos em seu interior? Para algumas culturas em planetas vizinhos, a esfera era um mau presságio, aparecendo no final de cada ano como um parente indesejado. Para outros, era um símbolo da impermanência fundamental do universo, como até mesmo seres poderosos o suficiente para criar tal esfera poderiam ser esquecidos com o tempo. Para o Culto do Pôr-do-sol Rompante, era o lar.

Rituais sombrios e misteriosos exigiam espaços escuros e misteriosos, então a irmandade fanática havia sondado as profundezas de Zed Trief, transformando suas câmaras em capelas, fortificando a sua superfície, instalando plataformas de armas roubadas. A esfera tinha sido um mau presságio. Agora era uma fortaleza.

Ou, pelo menos, foi isso que o Doutor ouviu. Ele contornou habilmente cada uma das medidas de segurança do culto materializando a TARDIS bem no meio da grande câmara central da esfera. Mais especificamente, ele a materializou bem em cima do altar de pedra negra da Grande Hierofante, derrubando alguns castiçais ornamentados.

Mil cultistas pararam no meio do canto. O Hierofante, já meio desequilibrado por conta da cora pesada, caiu da cadeira.

‘Olá’, gritou o Doutor.

Apesar de todos os seus muitos defeitos, o culto havia escolhido um excelente local para realizar suas reuniões sinistras. Esta era a maior câmara abaixo da superfície da esfera – uma grande caverna circular grande o suficiente para abrigar vários campos de futebol (caso o Culto do Pôr-do-sol Rompante algum dia decida começar uma partida), e tão acusticamente perfeita que até o mais leve sussurro era audível.

‘Eu sou o Doutor, e vim impedir o seu terrível plano’. Fez uma pausa. ‘Vocês estão tramando um plano terrível, não?’

Silêncio. O Doutor coçou a nuca. ‘E a entrada? A entrada foi boa, né? Desculpa, é que a manhã foi terrível.’

‘Eu achei que foi muito boa’, a Grande Hierofante respondeu do chão. Sua face, tal qual a do resto da congregação, estava escondida debaixo do capuz de um volumoso robe negro. O Doutor gostava de robes negros. Nenhum culto que se preze economizava nos robes.

A Grande Hierofante sentou-se, ajeitando a coroa. ‘Só que…’

O Doutor pulava de um pé para o outro, constrangido. ‘Só que?’

‘Não tenho muita certeza se estamos tramando algum plano maligno, infelizmente’. A Grande Hierofante tinha a voz suave e cuidadosa de um conselheiro de clube comunitário, o tipo de pessoa que toma notas em reuniões, tem o seguro adequado e se lembra de colocar os biscoitos na mesa de café. Boas vozes também eram necessárias quando se tratava de promover cultos.

‘Bom, você não diria se estivesse, diria?’, o Doutor respondeu, triunfante. ‘Vocês são o Culto do Pôr-do-Sol Rompante. Adoradores do fim do universo. Vocês escolheram os últimos dias do Século XXXIII para roubar o Globo do Desfazimento dos cofres de Shemi-Goroth, e agora vocês vão usá-lo para abrir um buraco no tecido da realidade!’ O Doutor respirou fundo. ‘Não vão?’

A Grande Hierofante teve a delicadeza de parecer envergonhada. ‘Não. Desculpe’.

O Doutor se sentou na beirada do altar de pedra negra. ‘Ah’, disse. ‘Bem que eu suspeitei. Não vi um Globo de Desfazimento em lugar nenhum’. Mexeu com o dedo em um pouco de cera de vela congelada. ‘Posso perguntar por que não?’

‘Bem, para começar’, disse a Grande Hierofante, ‘nós não somos o Culto do Pôr-do-Sol Rompante. Nós somos a Ordem do Destino Atado’.

‘Abençoado seja’, respondeu a congregação.

‘O Culto do Pôr-do-Sol Rompante era o inquilino anterior. Eles deixaram o lugar em um estado deplorável, isso eu te digo. Reciclamos os robes porque, bem, são lindas, mas jogamos fora todas as caveiras e velas porque não combinavam com toda a coisa de Destino Atado’.

‘Abençoado seja’, respondeu a congregação novamente.

O Doutor deu uma olhada neles. ‘Então, vocês os impediram?’

‘Oh, não’, disse a Grande Hierofante. ‘Nós nos mudamos pra cá quando tivemos certeza que eles não voltariam mais. Na verdade, eu não estava aqui, mas…’ ela olhou ao redor e apontou para uma figura corpulenta usando um robe com capuz idêntico a todos os outros robes com capuz na sala. ‘… você estava aqui, não estava, Clodus?’ Ela se inclinou, conspiratória. ‘Clodus estava no Culto do Pôr-do-Sol. Agora, ele está do lado do Destino Atado. Não é?’

A enorme figura deu de ombros. ‘É como eu me mantenho ocupado’.

‘O que aconteceu?’, perguntou o Doutor. Ele estava se sentindo frustrado de novo. Era isso que acontecia quando se tentava ir a um lugar específico, ao invés de deixar o universo te levar. Errar as datas, bem, isso não era o pior de tudo. Havia muitas datas. Era difícil escolher a certa. Mas ele sempre quis ver um Globo de Desfazimento, uma peça de tecnologia que fazia a TARDIS parecer jovem. Mas agora o Globo se foi, como tantas outras coisas, e ele perdeu a oportunidade.

‘Um homem veio’, começou Clodus, coçando a cabeça pelo capuz. ‘Ele interrompeu a Anciã Magnífica quando ela estava prestes a ativar o globo, então deu a todo o culto um discurso dramático…’, Clodus apontou, ‘… bem aí onde você está. Parece que ele fez alguma coisa com os circuitos do globo, e ao invés de abrir um rasgo no universo como deveria, ele simplesmente se desfez. Ele disse que era…’ o Doutor podia ouvir o cenho de Clodus se franzindo, ‘… reversão de polaridade em cascata.’

‘Reversão de polaridade em cascata’, repetiu a congregação em uníssono.

‘Depois disso, nós começamos a achar que talvez fosse o destino que o universo não tivesse acabado, então eu e os rapazes pensamos se não era melhor procurarmos um novo culto…’

‘Ordem’, a Grande Hierofante interrompeu. ‘Ordem soa melhor, Clodus.’

‘Como quiser, Anciã Magnífica’, Clodus pigarreou.

‘O Doutor tinha certeza que, debaixo do capuz, a Grande Hierofante estava emburrada.

‘Hum. Grande Hierofante’, Clodus continuou. ‘E quando nós pensamos em procurá-lo, o homem já havia desaparecido.’

‘E me diga’, o Doutor falou, beliscando a ponte do nariz. ‘Este homem também tinha uma caixa azul?’

Uma onda de acenos de cabeça passou pela câmara.

‘Nós até pensamos em usá-la como símbolo’, disse a Grande Hierofante. ‘Mas então, nos lembramos de outra coisa que ele falou e decidimos que isso seria mais apropriado’. A Grande Hierofante baixou o capuz, revelando um rosto tão enrugado e brilhoso quanto uma maçã velha, seu cabelo uma massa de cachos brancos finos como dentes-de-leão.

Os outros cultistas baixaram seus capuzes. Todos estavam usando gravatas borboleta.

‘Gravatas borboleta são legais’, a Grande Hierofante disse meio envergonhada, mas o Doutor já estava abrindo as portas da TARDIS. Ele então se virou, como se um pensamento tivesse acabado de lhe ocorrer. ‘Ele disse alguma coisa? Esse estranho?’

A Grande Hierofante estendeu um envelope vermelho. ‘Ele me deu isso. No caso de – e cito – “o rabugento de orelhas grandes aparecer”‘.

O Doutor olhou para o envelope com desconfiança. ‘O que é isso?’

‘Eu acho’, disse a Grande Hierofante, ‘que ele chamou de cartão de Natal.’

A TARDIS girou. Lá fora, eras inteiras passaras. Bandos de minutos voavam como pardais assustados. Séculos batiam nas portas como gotas de chuva. O interior da TARDIS era tão complexo quanto o vórtex girando em torno dela. Os Senhores do Tempo criaram as TARDIS, mas seria mais correto dizer que eles as cultivaram. Plantar uma semente não significa que você sabe onde cada botão vai florescer, ou onde cada videira vai se enrolar. Havia lugares na TARDIS que nem mesmo o Doutor conhecia. Havia quartos em que ele nunca havia estado.

Havia um quarto que ele achou que nunca entraria novamente.

A porta desse quarto não era dramática ou proibida. Não teria sido aprovada em nenhum culto de atos sombrios e misteriosos. Era apenas uma porta, não mais intimidante do que o envelope em sua mão, e isso só provava como essas coisas poderiam ser enganosas.

Eu deveria ter imaginado, pensou ele.

Era incrivelmente perigoso entrar em contato com o seu eu anterior. Até o Doutor, que era curioso do mesmo jeito que estrelas eram quentes e sorvete era gelado, fazia o possível para não se intrometer na sua própria linha do tempo. Mesmo o menor conhecimento do próximo muda o agora. Uma única gravata borboleta pode destruir o universo.

‘Duas vezes agora’, disse ele. Voltou e recuperou o envelope do recepcionista de Eirene, principalmente para que pudesse olhá-lo. ‘Duas vezes. E eles estão me escrevendo.’

O que eles estavam pensando. Esqueça ler o cartão – só do tê-lo já era uma infração de Nível Quatro. Ele temia pensar o que a Guarda da Chancelaria dos Senhores do Tempo ou a Agência de Intervenção Celestial teriam dito sobre isso. A polícia de Gallifrey ficava realmente irritada com as pessoas mexendo nas linhas do tempo. Essa era uma das razões pelas quais o Doutor gostava tanto disso. Senhores do Tempo eram tão sólidos. Tão calmos. As TARDIS deram a eles uma porta para cada picossegundo e planeta que já existiu ou virá a existir, mas os Senhores do Tempo olhavam para os batentes das portas e viam molduras de fotos no lugar. Como se o universo fosse uma pintura na parede – ligeiramente interessante, mas principalmente decorativa. Tão decididos a não ter pressa, quando tudo o que o Doutor queria era pegar o tempo e fazer algo com ele. Essa foi a semente que os Senhores do Tempo plantaram nele.

‘E veja onde isso deu’, ele disse, e deu um sorriso triste para a porta fechada à sua frente.

Estava tudo acabado agora. O Doutor até teria gostado de ser preso e acusado por seus pares – de novo – mas não havia mais crimes de nível quatro para ser acusado porque não havia mais Senhores do Tempo para fazer a acusação. Havia apenas ele. Só ele. E morria de medo de receber um cartão daqueles, porque significava que, talvez, sua solidão duraria para sempre. Em algum lugar lá fora, entre todos os minutos e segundos, poderia haver uma versão dele tão solitária que estava desesperada lhe enviando cartões.

O Doutor se ajoelhou, e cuidadosamente passou o envelope pelo vão da porta. Poderia ficar lá para sempre, ele não se importaria.

‘Você é a última pessoa com quem eu quero falar’, o Doutor disse, e voltou para a sala de controle da TARDIS.

Uma alavanca só não foi suficiente da última vez. Dessa, ele puxou logo duas, só para se certificar.

O Doutor voou para a Arca de Gammazed – aquela expedição famosa e fracassada além das das fronteiras da agonizante vigésima nona galáxia – apenas para ser gentilmente dispensado pelo capitão da Arca, que ‘esta tudo bem, obrigado’ desde que um bom viajante havia apontado as falhas no projeto de aceleração de gravidade Gammazed antes que causassem uma falha catastrófica do motor.

Um terceiro cartão foi morar na TARDIS. O Doutor também empurrou aquele por debaixo da porta. Próxima parada, as Minas de Partículas X. O Doutor sempre quis visitar as Minas de Partículas X. Dizia-se que nos túneis mais profundos havia formas. Formas que sussurravam sob o barulho de ferramentas e o suspiro dos coletores de partículas. Formas que lhe prometiam coisas. Formas que lhe sequestravam.

Quando o Doutor chegou, porém, ele foi informado que uma bela mulher em uma caixa azul não apenas tinha resgatado os mineiros desaparecidos, como também havia convencido os mineiros e as formas – que se revelaram como mineiros de outra dimensão cavando um túnel para dentro desta – a entrar em greve por melhores direitos. Agora os desaparecimentos acabaram, e todos tinham folga aos domingos e no Natal. O que era bom. O Doutor se foi com um prato de peru, o início de uma dor de cabeça monstruosa, e um quarto cartão de Natal. Era quase como colecionar Mega-Selos Chibolg, ele percebeu, no sentido de que você queria rapidamente matar todos que estavam fazendo isso.

Foi quando ele teve uma ideia fantástica.

A quadragésima quinta Convenção de Mega-Selos Chibolg foi realizada no Zhudash Plaza Hotel, na extensa cidade-mundo de Ghent. Foi o evento mais famoso dos Mega-Selos Chibolg – o que significava que se você fosse um colecionador, era o evento do ano, e se você não era um colecionador, não tinha ideia de que o evento existia. Isso gerava uma confusão anual entre os outros hóspedes do Zhudash Plaza, que por um fim de semana por ano se viam compartilhando o hotel com seres muito intensos de todo o universo, que usavam roupas com slogans como “se você quiser que eu ouça, fale sobre Mega-Selos” ou “colecionava Mega-Selos antes de ser moda!” (o Doutor, ao ver essa última em uma camiseta, considerou brevemente visitar essa época mítica, mas decidiu que algumas áreas da história eram distantes demais até para ele).

Houve um tempo na história de Ghent quando ela não era uma cidade-mundo, mas isso foi há muito esquecido. Agora, cada metro quadrado do planeta estava coberto por torres de neon brilhantes e cidadelas de latão oleado. Elas se espalhavam não só pela terra, mas além dos oceanos, os grandes distritos flutuando em jangadas, como manchas de óleo.

Florestas foram destruídas. Montanhas haviam sido planificadas. Tudo pela sempre crescente Megalopolis de Ghent.

Cem bilhões de pessoas viviam na cidade, e o pouco céu visível acima do vasto super-horizonte estava cheio de purificadores de atmosfera em movimento circular, delgados como libélulas. Suas asas largas e finas estavam em complicados arranjos de peneiras de poluição e coletores de cinzas, zumbindo suavemente enquanto inalavam sujeira e exalavam ar puro e fresco.

‘Sabe, eles precisam continuar se movendo’, disse o Doutor para ninguém em particular, jogando primeiro uma perna por cima da grande varanda do hotel, e depois a outra. ‘É a forma como foram concebidos. Eles nunca pousam. Nunca param.’

Atrás dele, a cerimônia de abertura da convenção continuou. O organizador – um Voord inquieto e sibilante, cuja pele preta emborrachada contrastava fortemente com as luvas brancas de um colecionador de Mega-Selos – discursava. As pessoas bebiam e conversavam. Esse era um grande evento no mundo dos Mega-Selos. Todo mundo que era alguém estava lá.

Eu deveria fazer amigos, pensou o Doutor. Ele era bom em fazer amigos, na maior parte do tempo. Talvez porque ele geralmente fazia amigos quando as coisas estavam explodindo, e se você falasse como se fosse um especialista em porquê as coisas estavam explodindo, as pessoas tendiam a ouvir. E geralmente ele sabia o porquê das coisas estarem explodindo, o que funcionava bem para todas as partes.

Agora, no entanto, ele simplesmente não conseguia fazer isso.

Engraçado, pensou. Ele havia passado a maior parte de sua vida fugindo de seu planeta natal, e agora que ele se foi, era como se o chão tivesse sido roubado de seus pés.

O telhado do Zhudash Plaha Hotel ficava 284 andares acima da movimentada rua abaixo. O vento puxou agressivamente os selos do Doutor? selos!! Camiseta. Ele pensou em dizer algo inteligente, mas decidiu que não adiantaria se não houvesse ninguém por perto para ouvir. Então, ele pulou da varanda.

Era uma longa queda, mas o Zhudash Plaza não economizou nos protocolos de segurança. O Doutor mal havia despencado dez andares quando o sistema usado pelo hotel para evitar processos ganhasse vida e o pegasse em um campo antigravitacional.

Eu também poderia dizer algo inteligente agora, pensou ele.

Em vez disso, ele pegou a chave de fenda sônica e convenceu a janela oposta à sua forma flutuante de que ela deveria ser uma porta. O gel translúcido que fazia as vezes de vidro no Zhudash Palace se abriu em um círculo perfeito, e o Doutor passou por ele, os pés tocando levemente o chão acarpetado.

‘Humpf’, disse ele.

A suíte 2V34 era um imenso em emaranhado de arte complicada e móveis luxuosos, todos esculpidos em materiais tão raros que poderiam ter comprado torres inteiras em qualquer outro lugar de Ghent. Telas fixadas na parede exibiam, no mudo, vídeos de canções natalinas locais. A suíte tinha sua própria cozinha, escondida atrás de uma tela holográfica no canto. O Doutor podia ouvir guardas armados no corredor do lado de fora, e pensou seriamente em derrubar algo para que eles corressem para pegá-lo e ele tivesse com quem conversar.

Decidiu não fazer isso. Eles teriam coisas demais para lidar dali a pouco.

A quadragésima quinta Convenção de Mega-Selos Chilbog acabaria por se tornar conhecida como O Massacre dos Mega-Selos, porque a Fraternidade dos Guardiões (que não usava robes, mas tinha túnicas feitas sob medida) estava prestes a roubar o Mega-Selo comemorativo à coroação do imperador Chilbog Gling. Uma guerra feroz iria estourar na sequência do roubo. O hotel ficaria fechado por meses.

Era por isso que o Doutor iria roubar o Mega-Selo primeiro.

Ele caminhou até a enorme mesa no centro do apartamento, examinando-a com sua chave de fenda sônica até encontrar três leves descolorações na madeira.

‘Óleo para dedos de Voord’, murmurou desinteressadamente.

Ele estendeu três de seus dedos mais ou menos no mesmo arranjo, pressionando as manchas até que uma dobradiça secreta estalou e um painel deslizou para trás, revelando um pequeno quadrado em uma vitrine de vidro.

‘Os Chilbog’, disse o Doutor, ‘construíram o servilo postal mais eficiente do universo. Tornou-se uma obsessão da espécie – procurando por inovações, melhorando os tempos de resposta, treinando legiões de funcionários – e então, todos simplesmente desapareceram. Sem deixar rastros. Mistério total‘.

Ninguém ficou chocado, nem pareceu impressionado, nem aproveitou a oportunidade para contar ao Doutor alguma coisa sobre as suas experiências com o serviço postal. Ninguém disse nada, então o Doutor continuou falando , porque era melhor que o silêncio.

Ele passou a chave sônica pelo pequeno quadrado, então acenou com a cabeça. ‘O que eu imaginei. Tinta senciente. É para onde os Chilbog foram. Tudo o que eles foram, tudo o que eles são, transformados em dados e escritos em papel. Eles começaram a se postar’.

Sorriu. Foi o primeiro sorriso genuíno que ele deu em algum tempo. E por que não? Você constrói essa coisa incrível – é claro que você vai usá-la. Por que ter algo tão maravilhoso e não usá-lo para ir a todos os lugares e ver tudo? Por que ficar preso em casa?’

Olhou atentamente para o quadradinho. Os minúsculos fios de tinta estavam escrevendo e se reescrevendo constantemente.

‘Acho que casa é onde você quer que seja’, disse o Doutor, e ergueu a vitrine de vidro. ‘Acho que você só se sente em casa quando não pode voltar’.

Houve uma série de cliques.

‘Vocês estão adiantados’, disse o Doutor, virando-se para encontrar sete armas apontadas para ele. ‘Eu só iria tropeçar no alarme secreto daqui três minutos’.

‘Olá, senhor’, disse o líder da equipe de segurança. A viseira de seu capacete dançou com uma mira brilhante. ‘Meu nome é Líder de Equipe Quell. Gostaríamos que o senhor se afastasse, se não se importa’.

‘Olá, Líder de Equipe Quell’, o Doutor disse. ‘Prazer em conhecê-la. Eu provavelmente não vou me afastar, se você não se importar. Creio que eu vá escapar com esse Mega-Selo para que ele não seja roubado, evitando, assim, uma guerra total’.

‘Parece bom’, disse a soldado. ‘E o que o senhor planeja fazer depois?’

O Doutor deu de ombros. ‘Não me pergunte assim tão cedo. Eu nunca sei das coisas com antecedência’.

‘Ele disse que você diria isso’.

O gel translúcido das janelas cintilou e se tornou duro como diamante. Painéis blindados caíram sobre todas as portas. Os outros membros da equipe de segurança se moveram como mandíbulas de uma armadilha, cercando o Doutor e cobrindo as portas.

Houve um longo momento de silêncio.

‘Foi o de gravata borboleta de novo?’, disse o Doutor. ‘Porque eu…’

‘Não sei nada sobre gravata borboleta, senhor’, disse Quell. ‘Este cavalheiro tinha um pouco de sotaque, senhor. Uma espécie de sotaque raivoso. Ele…’

O Doutor acenou com as mãos. ‘Não seja específico! Eu não posso saber detalhes. Estou tentando esquecer os detalhes que eu já ouvi!’

‘Desculpe, senhor’. O Doutor nunca tinha visto alguém apontar uma arma enquanto se desculpava. A mira no visor de Quell brilhou quando ela piscou. ‘Nossas ordens são específicas. Ele vai lidar com a bagunça lá fora e o senhor vai se preparar para o Natal’.

‘Eu o que?’

‘Ele disse que o senhor precisa de um tempo. É para isso que serve o Natal’. Quell indicou o quarto luxuoso ao redor. ‘Essa suíte é praticamente inexpugnável. Ele gastou muito dinheiro para nos treinar em um restaurante caro em Darillium, senhor’.

Ele realmente acha que o senhor deveria ter uma folga. Ele disse que estava tentando ser legal’.

‘Prisão domiciliar’, disse o Doutor, incrédulo. ‘Prisão domiciliar como presente de Natal’.

A segurança parecia claramente desconfortável. ‘Sinto muito, senhor’, repetiu Quell. ‘Ele disse que o senhor entenderia por que ele não poderia dar mais informações. Ele disse que há um quarto na caixa azul em que o senhor não entra e que ele sabe o motivo’.

O Doutor soltou um longo suspiro. ‘Tudo bem. Tudo bem. Só me deixe…’ Seus olhos se estreitaram. ‘Então, todos vocês são altamente treinados, não é? Melhor equipamento do universo? Provavelmente equipado com todo tipo de sensor aprimorado, certo?’

A segurança assentiu. ‘O melhor que o dinheiro pode comprar, senhor. Ampliação de todos os cinco sentidos. Posso ouvir os purificadores de atmosfera suspirando a sessenta metros de altura. Eu posso ouvir a campainha na recepção. São sensores realmente muito fortes, senhor’.

‘Maravilhoso’, disse o Doutor. ‘Fantástico’.

Ele apontou a chave de fenda sônica para as telas montadas nas paredes.

‘Quão alto vocês acham que isso alcança?’

Mais tarde, o Doutor enviou a Quell e a toda a equipe de segurança caixas de chocolate como desculpas. Em suas notas de agradecimento, eles garantiram que a audição definitivamente voltaria ao normal.

Eles também enviaram ao Doutor um quinto cartão.

E mais tarde ainda, quando a adrenalina passou e o silêncio voltou, a energia nervosa que o Doutor costumava colocar em suas piadas sem graça e no resgate do universo o impeliu, como sempre, para a porta. A porta que ele não abria. A porta que ele não abria desde que trocou as roupas de seu antigo eu por um casaco surrado e a primeira camiseta que ele viu na frente, botas velhas esmagando um tapete de vidro quebrado. ‘Ok’, disse ele. ‘Sem problemas’.

Ele abriu a porta e entrou.

Havia muitas palavras e expressões na Terra que não tinham equivalente em Gallifrey. Uma delas era a noção de closet. O guarda-roupas da TARDIS não era um closet; era maior que isso. Era um guarda-roupa em que se podia andar por quilômetros. Mesmo o Doutor não sabia até onde ele se estendia. Às vezes ele se perguntava se a TARDIS estava sempre acrescentando algo em silêncio porque gostava de vesti-lo com roupas novas.

Havia vários espelhos no guarda-roupas. Todos estavam quebrados.

‘Sinto muito por isso’, disse.

A TARDIS não respondeu, mas o ronco dos motores suavizou um pouco com suas palavras. ‘Eu nem mesmo me lembro de ter feito isso. Minhas memórias estão mais confusas do que deveriam’. Ele enfiou um dedo no ouvido e mexeu. Linhas temporais colidindo. Meus eus futuros mudando as coisas. Mexendo com tudo. Embaralhando tudo’.

Ele olhou para o chão.

A Guerra do Tempo. O fim de Gallifrey. A versão de si mesmo que fez aquilo e todas as outras versões que estavam por vir.

‘Eu me preocupo se eles ainda estão de luto’.

Ele percebeu que havia uma vassoura no canto. Não estava lá antes. A nave poderia ter consertado todos os espelhos sozinha, sumido com o vidro quebrado como se ele nunca tivesse existido, mas a TARDIS conhecia o Doutor. Ela sabia que seguir adiante era melhor que permanecer no mesmo lugar.

O Doutor começou a varrer suavemente o vidro.

“As coisas antigas parecem diferentes. Minhas aventuras não parecem certas. É como se Gallifrey estivesse sempre lá. Era meu endereço de retorno. Era a estrela pela qual eu me guiava, mesmo que eu não concordasse, ou aprovasse, ou a desafiasse completamente’.

Para onde eu vou agora?’

Algo ficou preso na vassoura. Ele olhou para baixo.

Era outro envelope. Pequeno, arranhado e marrom, escondido debaixo de um dos maiores cacos de vidro.

‘Se eu não quero cartões das minhas versões futuras’, disse o Doutor, ‘imagina se eu vou querer algo vindo de você. Eu deixei você para trás. Você é o eu que fez isso. A culpa é sua, e agora sou eu quem tenho que limpar a bagunça. Ele agarrou o envelope com raiva. Raiva o suficiente para rasgá-lo e puxar o cartão.

Não era um cartão de Natal.

Era pequeno, da Moveomax. A pequena forma nele girou e cintilou em seu campo negro.

O Doutor ficou olhando para ele. Tinha visto muitos planetas. Havia planetas quadrados. Planetas vivos. Planetas feitos de música. Vinha de um planeta que era vermelho e laranja como uma ágata de fogo – tão vermelho que quase se podia sentir seu calor do espaço. O planeta no cartão era azul e verde. Não era particularmente impressionante. Nem particularmente grande. Escrito no cartão estava “gostaria que você estivesse aqui”.

O Doutor olhou ao redor da sala, para as roupas que já havia usado e as que ele poderia vir a usar, e então olhou para o único lugar para onde ele sempre ia, por mais que se sentisse perdido.

‘Casa’, disse o Doutor. ‘Um lugar que sempre precisa ser salvo’.

Fechou o cartão. ‘Feliz Natal para mim’.

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